From Crash to Coach

Já lhe aconteceu aquele momento de crise em que parece que tudo se desmorona à sua volta? Em que o mundo, tal como o conhece, deixa de existir? Em que a incerteza e a vulnerabilidade tomam conta de si?

 

São os momentos das grandes mudanças de vida com que, em regra, mais cedo ou mais tarde, todos os seres humanos se confrontam – a morte de alguém que nos é querido, separações entre casais, a perda de um emprego, uma doença grave, crises humanitárias, guerras, catástrofes naturais, dúvidas sobre nós próprios, sobre o nosso papel no mundo…

 

Nesses momentos, a reação natural do ser humano é ativar as suas estratégias naturais de sobrevivência, resistindo ou não aceitando a mudança. Essas estratégias naturais de sobrevivência são acionadas para evitar riscos, para preservar o que conhecemos, para nos manter na nossa suposta “zona de conforto”. Entramos em estado de “piloto automático” reagindo, ao que nos acontece ao sabor das nossas crenças e valores, ao sabor das nossas emoções (muitas delas resultantes de memórias traumáticas que associamos ao momento presente). Tentamos, desesperadamente, fugir à dor sem ter a menor consciência disso. Vivemos a recordar o passado procurando trazê-lo de volta, ou a projetar um futuro cor-de-rosa que ainda não aconteceu, pelo simples facto de sermos incapazes de experienciar e viver o momento presente. Estamos em estado CRASH.

 

Quando isso acontece, o mais provável é entrarmos em colapso - num estado de bloqueio neuromuscular que pode redundar em inércia, depressão, medo, ansiedade, tristeza, ambivalência, dificuldade em libertar ou deixar ir, confusão, conflito ou frustração.

 

CRASH é um acrónimo inglês utilizado por Stephen Gilligan e Robert Dilts na abordagem de coaching generativo, que descreve as reações automáticas e improdutivas do ser humano a situações de tensão e stress tais como lutar/atacar, fugir/escapar ou congelar/cristalizar, significando:

 

C - Contraction |contração neuromuscular | paralisia | congelamento |

R - Reaction | reação | reclamação |vitimização |repetição de comportamentos |

A - Analysis Paralysis |paralisia por análise |excesso de análise cognitiva | E agora o que faço?

S - Separation | separação | lutas internas | partes em conflito | desconexão com o corpo

H - Hurt and Hatred |dor | ódio | sofrimento | sem saída

 

O estado CRASH é um estado paralisante, limitador. Em estado CRASH não há inspiração, não há criatividade e por esse motivo é extremamente difícil encontrar novas soluções para os “embates “da vida. Curiosamente, viver em estado CRASH foi-se transformando em algo muito comum nas sociedades ocidentais que correm, correm, correm sem descanso, muitas vezes sem uma consciência plena sobre o que as faz correr…

 

O coaching generativo, enquanto abordagem especialmente interessada nos valores, paixões e chamamentos mais profundos dos seus clientes, desafia-nos a olhar para as crises como enormes oportunidades. Stephen Gilligan designa mesmo esses momentos de crise como “FGO’s - Fucking Great Opportunities”. Crises representam alertas, alarmes de crescimento, oportunidades de mudança no sentido da expansão e reorganização do nosso self.

 

Para lidarmos com a crise de uma forma criativa é relevante irmos além dos limites do nosso ego já que este é limitado. O ego foca-se no auto benefício, na segurança, na sobrevivência, no controlo e na ambição pelo que não será difícil perceber que em momentos de crise todas estas questões são postas em causa. É pois importante irmos além disso e questionarmo-nos sobre a nossa essência. Quem somos nós para além da crise? De que forma podemos passar por uma crise sem nos tornarmos na própria crise?

 

Construir os cenários e implementar as mudanças que queremos ver acontecer nas nossas vidas, implica que desenvolvamos e exercitemos regularmente habilidades como equilíbrio, conexão, flexibilidade, estabilidade, capacidade de libertar/deixar ir, características de um estado que comummente se designa por estado de excelência interior, estado de presença, estado COACH, ou estado generativo, a que já nos referimos em artigo anterior, e que recordamos possui as seguintes características:

 

C - Centered |centrado | ligado ao seu corpo |

O - Open |aberto ao outro e ao mundo

A - Aware | consciente e alerta | desapegado de crenças, valores, preconceitos

C - Connected |conectado às suas três mentes: somática, cognitiva e de campo

H - Holding | acolhendo tudo o que possa surgir de novo dentro e fora de si

 

Este estado de presença consciente permite que nos elevemos para lá do ruído negativo das situações de crise e que direcionemos o nosso foco e energia para atitudes e comportamentos mais ecológicos e construtivos.

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